Exma. Senhora Presidente Dilma Rousseff
À custa do sofrimento e angústia de milhares de japoneses, o mundo parece ter finalmente acordado para os perigos da energia nuclear. Rússia, Bélgica, Suíça e Estados Unidos estão repensando seus projetos nucleares. China e Alemanha suspenderam os investimentos em novas usinas. Até Hugo Chavez anda repensando seus projetos nucleares.
Como a senhora pode ver, presidente Dilma, o Brasil deve seguir o mesmo caminho e interromper a construção de Angra III. Desse modo, nos colacaremos em ótima companhia, aquela dos países em que seus líderes entenderam o recado do acidente do Japão.
Nuclear não representa riscos apenas em situações extremas, como o terremoto de alta magnitude no Japão. As usinas nucleares estão suscetíveis a inúmeros e diferentes tipos de acidentes, na geração, no transporte do combustível para as usinas e no descarte do lixo radioativo.
O investimento não compensa. Angra I e II passam por desligamentos frequentes, só representam 2% da energia brasileira e custaram mais de R$ 20 bilhões ao cofres públicos. Angra III nem começou a ser construída e já custou mais de R$ 1,5 bilhão em equipamentos. Para ser concluída, precisará de mais R$ 9 bilhões. Sua tecnologia é ultrapassada, a geografia da região é instável e populosa e não há plano eficiente de evacuação.
O Brasil é o país com um dos maiores potenciais de geração de energia limpa e segura do mundo, já que as renováveis podem dar conta do recado e atender a 93% de toda a demanda nacional. Definitivamente, não precisamos de energia nuclear.
Presidente, interromper o projeto de construção de Angra III e não colocar minha vida em risco é uma questão de escolha. Apelo para que a senhora faca o país rumar na direção das energias limpas e seguras como a solar e a eólica.
Pare Angra III.