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A explosão do reator de Chernobyl, há 25 anos, ficou marcada na história como o maior acidente nuclear da civilização. Suas conseqüências foram sentidas ao redor do globo e persistem até hoje. Na imagem vemos Natasha Popova (12), que nasceu com microcefalia e Vadim Kuleshov (8), com doença óssea e deficiência mental, ambos vítimas do acidente nuclear.

É ESSA REALIDADE QUE VOCÊ QUER PARA O SEU PAÍS? 

A explosão do reator de Chernobyl, há 25 anos, ficou marcada na história como o maior acidente nuclear da civilização. Suas conseqüências foram sentidas ao redor do globo e persistem até hoje. Na imagem vemos Natasha Popova (12), que nasceu com microcefalia e Vadim Kuleshov (8), com doença óssea e deficiência mental, ambos vítimas do acidente nuclear.

É ESSA REALIDADE QUE VOCÊ QUER PARA O SEU PAÍS? 

Se o acidente nuclear japonês acontecesse no Brasil, plano de evacuação atingiria 27 municípios do Rio de Janeiro e São Paulo. Se seguidas as normas japonesas de evacuação de 20 km, 170 mil moradores de Angra dos Reis precisariam abandonar suas casas. Pelas regras americanas, o raio de 80 km afetaria até 1 milhão e meio de pessoas.

Código perverso

Oito ex-ministros do Meio Ambiente se reuniram na tarde de hoje na Câmara Federal para tentar impedir a votação do projeto de lei de um novo e temerário Código Florestal. Marcada para amanhã, a votação do texto de autoria do deputado Aldo Rebelo – que institui tudo menos a proteção às florestas – fez com que representantes do Meio Ambiente de governos anteriores se reunissem em Brasília para pedir o adiamento da votação da lei. “Como receber chefes de estado ano que vem na Rio+20 depois de votar reforma desse Código Florestal?”, disse o ex-ministro do governo Lula, Carlos Minc.

Para tentar convencer o governo a não votar o futuro das florestas a toque de caixa, como pretendem os deputados ruralistas, os ex-ministros redigiram uma carta aberta que será entregue à presidente Dilma Rousseff durante audiência marcada para acontecer amanhã de manhã no Palácio do Planalto. Além de Dilma, o presidente do Senado, José Sarney, e da Câmara Marco Maia, receberão a comitiva de ex-ministros.

Na avaliação dos ex-ministros, não há proteção dos pequenos proprietários nem dos agricultores familiares, além de flexibilizar a lei para que haja mais desmatamento. “Congresso e Dilma precisam fazer uma lei para proteger as florestas. Não queremos uma campanha pelo veto, mas sim algo que proteja nossas florestas e coloque nossa agricultura em um novo patamar, de olho no futuro”, disse Marina Silva, que defende o adiamento da votação. “Não podemos pensar em votar isso assim, às pressas”, afirma.

José Carlos Carvalho, que foi ministro do Meio Ambiente durante a gestão Fernando Henrique Cardoso, lembrou do potencial do Brasil em ser um país verde, mas ressaltou que é preciso uma legislação favorável. “A lei em discussão só propõe diminuir o controle de estado sobre nossas riquezas naturais. Não é uma proposta que consiga assegurar o uso racional desses recursos para o nosso futuro”.

“Está claro que esta lei não é sustentável. Não podemos deixar que um pequeno grupo de favoreça em detrimento do patrimônio da nação”, afirmou Henrique Cavalcante, ministro de Itamar Franco.

Assinaram o texto: Marina Silva (PV), Carlos Minc (PT), Sarney Filho (PV), Rubens Ricupero (sem partido), José Carlos Carvalho (sem partido), Fernando Coutinho Jorge (PMDB), Paulo Nogueira Neto (sem partido), Henrique Brandão Cavalcanti (sem partido), Gustavo Krause (DEM), José Goldemberg (PMDB).

O governo brasileiro planeja construir a usina nuclear Angra III e mais sete novas usinas nucleares nos próximos 20 anos. Mesmo após os acidentes nucleares no Japão, Odair Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energia Atômica, declarou que irá apenas rever as normas de licenciamento de nossas usinas. Ou seja, o projeto de construir Angra III continua. 

Exma. Senhora Presidente Dilma Rousseff

À custa do sofrimento e angústia de milhares de japoneses, o mundo parece ter finalmente acordado para os perigos da energia nuclear. Rússia, Bélgica, Suíça e Estados Unidos estão repensando seus projetos nucleares. China e Alemanha suspenderam os investimentos em novas usinas. Até Hugo Chavez anda repensando seus projetos nucleares.

Como a senhora pode ver, presidente Dilma, o Brasil deve seguir o mesmo caminho e interromper a construção de Angra III. Desse modo, nos colacaremos em ótima companhia, aquela dos países em que seus líderes entenderam o recado do acidente do Japão.

Nuclear não representa riscos apenas em situações extremas, como o terremoto de alta magnitude no Japão. As usinas nucleares estão suscetíveis a inúmeros e diferentes tipos de acidentes, na geração, no transporte do combustível para as usinas e no descarte do lixo radioativo.

O investimento não compensa. Angra I e II passam por desligamentos frequentes, só representam 2% da energia brasileira e custaram mais de R$ 20 bilhões ao cofres públicos. Angra III nem começou a ser construída e já custou mais de R$ 1,5 bilhão em equipamentos. Para ser concluída, precisará de mais R$ 9 bilhões. Sua tecnologia é ultrapassada, a geografia da região é instável e populosa e não há plano eficiente de evacuação.

O Brasil é o país com um dos maiores potenciais de geração de energia limpa e segura do mundo, já que as renováveis podem dar conta do recado e atender a 93% de toda a demanda nacional. Definitivamente, não precisamos de energia nuclear.

Presidente, interromper o projeto de construção de Angra III e não colocar minha vida em risco é uma questão de escolha. Apelo para que a senhora faca o país rumar na direção das energias limpas e seguras como a solar e a eólica. 

Pare Angra III.

PARE ANGRA III

Presidente Dilma, interromper o projeto de construção da usina nuclear Angra III e não colocar a minha vida em risco assim como a de outras milhares de pessoas é uma escolha sua. Pare a construção de ANGRA III:

http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Participe/Ciberativista/Pare-Angra-III/

Energia elétrica para o Brasil: uma outra abordagem é possível

A organização ambientalista brasileira considera que o país comete um erro ao autorizar a construção de uma estrutura que não foi suficiente e devidamente discutida com a população local - apesar de ter sido planejada há 20 anos - e que o projeto não leva em conta, adequadamente, itens importantes como o ciclo das secas da Amazônia - que reduzirá (ou inviabilizará) a capacidade de produção de energia sazonalmente; a distância da obra em relação à demanda, que encarecerá o preço da energia produzida; o funcionamento dos sistemas ecológicos e a dinâmica social e cultural em torno das bacias hidrográficas, entre outros problemas já mencionados em seu texto de posicionamento “Barragens & Belo Monte”.

O WWF-Brasil volta a destacar a existência de alternativas mais sustentáveis compor a matriz elétrica do País, tais como a energia eólica e os bioenergia e a possibilidade, ainda não cogitada, de uma reengenharia  e modernização das UH já existentes, o que permitiria a geração de mais energia com o mesmo parque hidrelétrico a um custo muito menor que a construção de novas unidades.

Mesmo reconhecendo a eventual necessidade de construção de novas hidrelétricas, o WWF-Brasil reitera sua posição de que a decisão neste sentido não seja tomada barragem a barragem, mas dentro de um planejamento amplo, que considere o funcionamento dos sistemas ecológicos dos rios, mantendo rios de fluxo livre, poupando biodiversidade.